Memórias narradas pela sua própria voz
Há factos vividos com o Tiago e entre o Tiago e os avós que merecem algum destaque. Ele era pequeno, viajava normalmente com os avós de Lisboa para o Tramagal, onde estávamos, por exemplo, uma semana e aos fins de semana os pais juntavam-se a nós e depois traziam-nos.
O mesmo acontecia quando estávamos de férias, tanto na Nazaré como em Porto de Dinheiro, que é uma praia junto a Ribamar e Lourinhã, e a nossa vivência era… ele passava muito tempo connosco. Daí a razão de ser quase em permanência a nossa observação sobre o começo da vida dele.
No Tramagal, então, ele tinha uma postura interessantíssima, que era: quando chegávamos, descarregávamos o carro e a primeira coisa que ele fazia era ir pelo corredor caminho central da propriedade com as mãos atrás nas costas. Isto quando tinha dois anos, um ano e tal, as mãos às costas, olhando para um lado e para o outro, ia para a propriedade abaixo, voltava para cima na mesma observação.
E depois eu perguntava-lhe: "Então, Tiago, o que é que achas? Está-se tudo em ordem?" Respondia-me assim afirmativamente, mas com um ar muito sério e o senhor do seu papel.
A paixão dele era tanta por aquela propriedade e por aquela atividade que até lhe comprámos um tratorzinho pequenino que era movido com uma bateria que se carregava na eletricidade e em que ele se entretinha bastante a andar com o trator a transportar certas coisas que lhe ponhamos muito leves, claro. E encarava sempre aquilo — para ele aquilo era uma função com responsabilidade, a resposta àquela atividade.
E tinha coisas curiosas, por exemplo, dizíamos-lhe: não vais para ali porque o tanque estava sempre cheio de água. Havia o poço que na altura ainda não estava tapado e nós dizíamos-lhe: olha, não vais para ali porque há lá o lobo mau que está dentro do poço e come-lhe os meninos e não sei o que mais. E ele então para o poço que não ia, nunca foi.
Mas para o tanque nós avisávamos para que ele não fosse, mas voltávamos costas e ele ia ao tanque para lavar as mãos. Lavar as mãos, isto quer dizer que vinha todo encercado para casa e tinha que ser mudado de roupa. Enfim, coisas que se passavam assim.
A história do lobo mau teve um desfecho. O lobo mau no poço teve um desfecho que ainda terminou — já passavam os aninhos quando ele, ao receber uma criança ali da rua, mais velha uns anos, essa criança aproximou-se do poço e ele disse-lhe: "Não vais para aí, olha, que há um lobo mau que come os meninos." Epá, isso não é assim, isso disseram todos os avós para tu teres o medo de ires para lá. E cobrou-se aquela indicação, deixou-te de dar resultado. E são vivências engraçadas.
Mas há outras. Há por exemplo o avô — eu fui operado no Porto, fiz-me uma operação ao palácio em novembro de 1995. Portanto o Tiago nasceu em 1994, em abril, teria um ano e perto de um ano e meio. Acontece que fui preparado, fui e voltei de comboio; o Tiago junto com os pais foram lá; a operação, estive internado apenas 48 horas e coincidiu com o fim de semana, e eles foram lá e viajaram também de comboio.
E no regresso vínhamos todos num compartimento, numa intercidade, num rápido do Porto para Lisboa. E então eram horas de operado, pude comer qualquer coisa, uma sanduíche que tinha sido preparada especialmente dado que não podia comer todas as comidas e muito menos sólidas, mas tinha que ser com um certo cuidado. E a sanduíche estava preparada e colocou-se naquele tabuleiro que é a vaga que têm junto à janela, para ele poder servir. Acontece que o Tiago interpretou aquilo de outra forma, quis comer qualquer coisa, provar aquilo e foi provando, provando até que comeu as sanduíches todas.
E assim várias coisas desse tipo. Mas o que mais há é uma atitude do Tiago, talvez com os 3 anos, 2 anos e meio, que me calou muito profundamente, e são marcas positivas que ainda hoje recordo. Isso define realmente a maneira de ser do homem que é hoje, que já em criança tinha sentimentos deste tipo.
Viemos de Porto de Dinheiro: quem? O Jorge, a Cristina, eu e ele. E ele vinha cantarolando uma canção que na altura estava muito em voga — a Laurinda faz vestidos por medida, o rapaz que estuda nos computadores — e ele cantava aquilo, gostava, e não sei quanto exigia que nós cantássemos também. E viemos para o caminho cantarolando aquilo e de vez em quando calávamos, e ele dava um grito lá atrás do banco de trás: "Vou cantar outra vez, agora todos, todos!" — e nós tínhamos que cantar para fazer a bondade.
Mas não é esta a situação que realmente me comoveu e que ainda hoje relembro com bastante saudade por um lado, mas com apreciação por outro, porque são gestos que definem realmente numa criança o que ele vai ser: um homem que se fez.
A avó e a tia tinham ficado em Porto de Dinheiro, portanto por isso só viajamos nós os quatro. E ao chegarmos — isto ao fim do dia já com as luzes acesas — ao chegarmos aqui à rua Alexandre Ferreira, à minha residência, eles pararam o carro para que eu saísse e a pessoa viesse para casa, e eles seguiam para a sua residência.
E então a tia teve esta expressão: "O avô vai ficar aqui sozinho, então ele fica bem, não lhe vai acontecer nada." E depois lá tranquilizámos: não, não, o avô vai, já traz comida, já tem comida feita e tal, não te preocupes. E ele lá sussurrou e seguiu. Portanto esta preocupação define bem realmente o que aconteceu aqui.
Porque ouço a rádio todas as manhãs a quando na casa de banho faço a higiene diária.
Morei durante alguns anos num montejo, onde perto da minha residência existia um posto de distribuição de pão, vulgo padaria, onde de vez em quando serviam os carros militares da base aérea 6 a fazer alguns levantamentos, quando havia falta de fornecimento em quantidade para a dita base.
No dia 25 de abril de 1974, quando saí de casa para, junto dos Correios, a cerca de um quilómetro, apanhar o transporte que me levaria ao trabalho, vi vários carros militares, vários soldados, em determinada zona, por acaso, junto dessa padaria, ao lado havia um café, uma casa de distribuição de carnes, etc., um núcleo comercial.
Não me estranhei, porque isso, como atrás disse, algumas vezes acontecia.
Segui o meu caminho, cheguei a apanhar o transporte, era uma carrinha que nos conduzia aos escritórios da firma Tolcã, de que eu era diretor financeiro e administrativo, e quando a carrinha chegou, um dos meus funcionários, que se transportavam conjuntamente comigo, disse-me, parece-me que está uma revolução na rua.
Sim, mas não se vê nada por aqui, em lado de nenhum. Se é por acaso, vi ali uns militares. Mas certamente, no sítio onde era, devem ter vindo buscar pão, que isso acontece muita vez, quando falha o fornecimento à base da Era VI. Pronto, e seguimos, vamos seguindo.
Quando se ligou o rádio da carrinha, já a caminho de Canha, onde se situavam os nossos escritórios e a fábrica, o rádio dava uma música um bocado estranha, até que depois, um pouco mais à frente, se ouviu a célebre voz, que ficou muito célebre, aqui com o mando das Forças Armadas.
Aconselhamos a que não se saia de casa, porque está uma revolução na rua. O pessoal pretendeu parar e voltar para trás, eu não deixei, continuamos, e quando chegámos aos escritórios, sem qualquer problema de trânsito, não houve nada, interrupção, fizemos o percurso normalmente, e eram cerca de 30 quilómetros.
Outro pessoal e colegas meus, como o diretor agrícola, o diretor de produção, estavam realmente, já nas instalações, pediram para falar comigo, e em conjunto decidimos se mandávamos o pessoal para casa, porque efetivamente estava a acontecer uma revolução militar. Cujo objectivo, para aquilo que já se falava, era a tomada do poder político.
Então, escorrimos dos meus contatos, porque além de ser o diretor da empresa mais velho, era também procurador da administração, e quando eles não estavam, era eu que representava a empresa, e lê um administrador, de seu nome, Ricardo Gonçalves, explica-lhe a situação, porque ele também não morava ali em Canha, explica-lhe a situação, e ele disse-me, eu estou no conhecimento disso tudo, não sei bem o que se passa, mas vou apanhar a A1, e vou diretamente para Lisboa, para saber o que é que se passa, entretanto vou dando notícias.
Ele sempre teve um espírito aventureiro, e umas condutas de pontos de vista muito militarizados, porque criou esse hábito desde que foi aluno dos papilhos do exército.
Tinha vários, não seguiu a vida militar, tinha vários amigos, alternantes coronários, companheiros auxiliares superiores em quase todos os ramos das forças armadas, e de segurança, e foi-nos contatando, e dizendo o que é que se passava, vou na A1, agora não sei quantos, não sei o que, está-se a passar, ainda não encontrei nada, até que realmente encontrou um posto militar que o mandou parar, e disse-lhe, eu vou parar para os garros não interromperem, e já não se pode passar.
Esperámos muito tempo, então não sei o que, até que ele depois entrou em contato connosco, e disse, parece-me que a rádio está a transmitir instruções às pessoas, e está já a divulgar algumas informações mais pronuncializadas.
No entanto, aqui, quem me interrompeu o percurso, já me informou que houve uma coluna que saiu de Santarém, houve uma coluna que saiu e veio diretamente para Lisboa, há uma coluna que saiu de Vendas Novas, também vai a caminho da Ponte Saladar, há navios de guerra no Tejo, enfim, há realmente uma revolução, agora pronúncias não sei, é pá, mas vocês liguem o rádio e vão acompanhando as notícias.
E assim foi, passámos o dia a ouvir as notícias.
Chegou a hora de fecho dos escritórios, a fábrica fechava mais cedo, o pessoal foi para casa, não ouvindo o termo de trabalho, que era às 17 horas, enquanto os escritórios saiam às 17h30, encerravam hoje, escusado será dizer que durante todo o dia, nem a fábrica lavourou, nem os escritórios funcionaram, mas o pessoal esteve presente, e fomos realmente para casa, na mesma carrinha que nos transportava.
Estávamos nós a entrar no Montijo, já dentro da vila, na altura, junto aos correios, que era onde era o posto de embarque, o posto de desembarque de todo o pessoal, quando vem o comunicado das Forças Armadas, a dizer que já tinham capturado o Presidente da República, Américo Tomás, o Presidente do Conselho de Ministros, o Professor Marcelo Caetano, estava no quartel do Carmo, tinha rendido às Forças Militares, e que as coisas que estavam, no entanto aconselhavam que as pessoas mantivessem dentro de casa, respeitassem a ordem, as instruções das autoridades militares ou militarizadas, etc.
Pois essa foi realmente a razão que eu desconhecia tudo, porque não tinha aquilo que depois passei a ter, foi um radiozinho pequeno, na casa de banho, que ouço realmente todas as manhãs. Isto desde 25 de Abril de 1974 até hoje, que se mantém um rádio, que se mantém a ouvir o rádio, e passou a ser um ritual que sigo desde essa altura.
Houve tempo, nos anos 60, 1962, a partir de 62, em que fui correspondente do jornal desportivo Mundo Desportivo. Na altura só havia dois jornais desportivos, era o Mundo Desportivo e a bola. Portanto, no Tramagal fui correspondente do Mundo Desportivo. Quais eram as atividades do correspondente?
Era noticiar tudo o que se tratava de qualquer atividade desportiva, qualquer disciplina, atletismo, futebol, tudo o que pudesse acontecer com respeito de acesso ao desporto, e como é que era desenvolvida a atividade.
Por exemplo, no caso do futebol, ele teria que estar tempo antes dos jogos começarem, tinha que anotar a composição das equipes, o nome do árbitro, etc, etc, etc, para que, tinha que assistir ao jogo, obviamente, para no final do jogo fazer o comentário, a apreciação, como é que o jogo tinha decorrido, quais as incidências, os gols, os minutos, quem é que os marcava, e fazer, por exemplo, um relato dos acontecimentos.
Que, no fim do jogo, eu teria que deslocar-me para um telefone, mas, entretanto, antes de tudo fazer o telefone, eu tinha que fazer, digamos, o relato do jogo, escrevê-lo, fazer os concentrantes, os comentários, etc, dar pontuações aos jogadores, fazer uma análise a tudo.
Depois disto concluído, ligava para a redação, era atendido por um metrofonista, normalmente, que, se já teve o relato feito, já assim senhor, encaminhava uma chamada para um gravador, e eu lia tudo, ditava a constituição das equipes, o árbitro e tal, todas as incidências do jogo, aconteceu isto, aconteceu aquilo, fazia os meus comentários, assinava e desligava.
Um desportivo, tinha um diretor, que era o diretor que tinha a seu cargo a ação de todos os correspondentes.
Esse diretor, que era, por acaso, recordo-me ainda o nome dele, doutor David Sequeira, mais tarde veio a ser o selecionador nacional de juniores, achou, por bem que a qualidade do trabalho que eu produzia o tenha algum valor, ou que respeitava a verdade, não sei como é que se informou, no que é que isso aconteceu?
Aconteceu que, quando o Neandertumar ascendeu à primeira divisão, e o Torres Novas ascendeu à segunda divisão, andavam os dois na segunda divisão, o Tramagal andava na terceira divisão na altura, e quando eles não tinham um repórter profissional, porque às vezes acontecia, isso aconteceu tanto no Neandertumar como no campo de jogos do Torres Novas, não tinham um profissional, e então começaram a fazer-me um convite, olha, você pode ir fazer o relato e não sei o que, do jogo Tomar-Bem Fica, por exemplo, isso aconteceu uma vez, pode sim senhor, e eles pagavam uma deslocação, que eu por acaso depois não fazia como eles desejam, mas quer dizer, pagavam para ir de véspera, pagavam um hotel, as refeições, etc, as despesas de ida e de regresso, se fosse em carro próprio, pagavam x ao quilómetro, etc, etc, etc, e o fim do relato procedia-se da mesma forma, transmitia-se tudo, porque isso era tudo publicado à segunda-feira, nessa altura os jornais esportivos só eram publicados às segundas, quartas e sextas, e como os jogos eram sempre ao domingo, às três da tarde, no inverno, ou às quatro da tarde, no verão, permitia-se desenvolver toda esta atividade, até às horas X, que davam para eles durante a noite, comporem o jornal que saía na segunda-feira.
Pronto, e foi assim, quer dizer, isso passou -se durante anos, e a uma dada altura, talvez pela qualidade do trabalho, não sei, não faço ideia, surge-me, aparece um jornal novo em Portugal, a Capital, e eu recebo um telefone, mando a Capital a convidar-me para ser o correspondente deles também no Dramagal, e eu aceitei, e isso aí a modalidade era diferente, é porque a Capital era um jornal que saía à tarde, os jogos eram às três horas, acabavam às cinco, e eles numa segunda edição de domingo, do próprio domingo, que saía, o jornal estava na rua, em Lisboa, por volta das sete, oito horas, dezenove, vinte horas, esse aí já trazia o relato do jogo, como é que isso se processava, aí era diferente, era instalado no campo do Dramagal, um telefone, os CTTs na altura que é que instalavam os telefones, e eu instalar um telefone, que era só para mim, e isso era o seguinte, o jogo antes de começar, eu levantava, não tinha manivela, não tinha nada, que na altura eram os telefones, alguns eram de manivela, era só levantar, porque estava diretamente ligado à sede da sala de imprensa, à sede da Capital, e então eu levantava o telefone, esperava que alguém me precisasse atender, e andava à constituição das equipas, trabalho a ser feito, posava o telefone.
Acontece que um gol é levantar o telefone, o gol aos tantos minutos marcou fulano, voltar a posar o telefone, quer dizer, aí isto era dado diretamente, e era certamente absorvido por alguma memória, algum computador, algum gravador, o que é facto é que depois de terminar o jogo, fazia-se um comentário muito curto, um comentário estilo de uma frase em que o vencedor está certo, ou venceu porque teve sorte, ou não sei o quê, a arbitragem teve um comportamento exemplar, ou não prestou, falhou nisto, devia ter deixado de assinalar, sei lá, uma grande penalidade, não sei o quê, era um comentário muito curto, com considerantes frases curtas, e era uma coisa que se fazia ali em 5 minutos.
Passado isso, estava o senhor dos CTTs, tirava o telefone, enrolava a linha porque ficava lá e ficou durante uma época, duas épocas, três épocas, e aquela linha estava lá para mim. O telefone propriamente dito é que ele levava e voltava a vir, na altura do jogo, e instalava novamente.
Deu-se entretanto uma coisa curiosa, que foi a inauguração de uma pista de atletismo de cartão no Tramagal, que era considerada a segunda melhor pista do país. A primeira era a do Sporting, claro, e depois a segunda era a do Tramagal. Passaram a disputar-se ali campeonatos estereotrais de atletismo, mas também provas nacionais. E há-nos tantas.
O mundo esportivo diz-me, agora tenho que fazer os relatos e as coisas, escute lá, eu não tenho conhecimentos no atletismo para isso. É claro, se for uma prova de 100 metros, eu sei que o atleta tal fez em tantos minutos, mas depois os lavos fiscais e os controladores, chamados árbitros, enfim, forneceram-me essas mudanças. Mas o resto eu não tenho.
Mas as modalidades no atletismo são tantas. Existem aqui algumas delas para dar as voltas à pista, por exemplo, 5 mil metros. Eu nem sei que muitas voltas é que são precisas para isso. E então o que é que aconteceu?
Deslocaram uma pessoa, numa altura de um campeonato, em que havia várias provas dessas, que veio fazer o relato, quer dizer, eu só o acompanhei para ver como ele fazia o trabalho, para eu poder produzir no futuro, eles não deslocaram ninguém, eu estava lá para fazer isso.
Só que, por acaso, isso nunca aconteceu, nunca se pôs em prática, por uma razão muito simples. Entretanto, eu saí do tramagal, definitivamente, e isso houve provas a seguir, ou tiveram que nomear lá outra pessoa, ou tiveram que deslocar alguém. Enfim, são curiosidades da vida.
Recordo-me também que fiz relatos tanto em Torres Novas como em Coimbra, e uma vez, só uma vez, já agora para concluir, fiz só uma vez, fui convidado para ir fazer um relato em Santarém.
O jogo era um Leões de Santarém, que na altura era chamado Leões de Santarém, com o Futebol Clube do Porto, que por acaso, ainda não me recordo desse resultado, que os Leões, que estavam na terceira divisão, mas terceira divisão, e ganharam ao Futebol Clube do Porto, me mataram.
Fiquei feliz pela deslocação, fiquei feliz porque reconheceram o mérito para poder fazer um relato numa cidade onde havia muita gente para o fazer, enfim, eu, e fiquei feliz pela vencedora. Talvez por ser um clube do meu distrito.
O Tiago sempre gostou muito de animais, principalmente de caracóis. Um dia, perto do Natal, deu-me umas cascas de caracóis e disse-me que tinha que as pôr no presépio. Assim o fiz.
A partir desse ano, todos os natais, quando vinha cá à casa e percebia que o presépio já estava feito, corria para a sala para certificar-se que os caracóis estavam lá e ficava sempre muito feliz por estarem. E a todos os anos, quando faço o presépio, continuo sempre a pôr junto com todas as figuras, as cascas de caracóis que guardo até hoje.
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Cada nova gravação do João Roso torna-se um novo capítulo